sábado, 18 de novembro de 2017

O Selo dos Profetas: o encontro com Deus no Último Dia

Por Christopher Buck.


Tendo crescido e sido educado como Cristão, muitas vezes ouvi a expressão: "A Bíblia diz…" seguida de uma citação a que a pessoa identificava o respectivo capítulo e versículo.

E também era frequente ouvir uma resposta do género: "Sim, mas a Bíblia também diz…", seguida de outro versículo como justificação de uma opinião contrária. Era como se o texto sagrado estivesse a discutir consigo próprio!

Particularmente interessante em todos os textos sagrados - e problemáticos na maioria - são as profecias sobre o Último Dia, o Dia do Juízo, etc. Porquê? Porque são difíceis de entender. Lêem-se com facilidade, mas são intrigantes - sejam textos da Bíblia, sejam textos do Alcorão.

Então vamos analisar as profecias dos últimos dias no Alcorão. É verdade que o Islão radical está nas notícias todos os dias. É uma vergonha, pois isso mancha o bom nome do Islão.

Mas vamos pensar no Islão tradicional - o Islão mais conhecido - onde a maioria dos muçulmanos são pessoas comuns, como qualquer um de nós, e que apenas querem viver em paz e prosperidade, e que obtêm muita inspiração e orientação na sua Fé.

Provavelmente, a maioria dos muçulmanos (quase 2 mil milhões de muçulmanos no mundo hoje) afirmará que o Profeta Maomé é o "Selo dos Profetas".

Isto baseia-se num versículo muito importante no Alcorão: 33:40. Muitos consideram este versículo como o versículo doutrinariamente mais importante do Alcorão.

Com a possível excepção dos Ahmadiyya (um novo movimento religioso principalmente centrado no Paquistão), isso significa que os muçulmanos consideram Maomé como o último profeta. Ponto final. Assunto encerrado. Fim da conversa.

Os Bahá'ís concordam. De facto, Bahá’u’lláh enaltece Maomé da seguinte maneira, que vai um pouco ultrapassa o Alcorão 33:40:
Glorificado és tu, ó Senhor, meu Deus! Peço-Te, pelos Teus Eleitos e pelos Portadores da Tua Confiança, e por Aquele a Quem ordenaste ser o Selo dos Teus Profetas e dos Teus Mensageiros, que permitas que a Tua lembrança seja a minha companheira, e o Teu amor seja o meu objectivo, e a Tua face o meu objectivo, e o Teu nome a minha lâmpada, e a Tua vontade o meu desejo, e o Teu prazer a minha alegria. (Bahá’í Prayers, p. 74)
Agora consideremos o seguinte: os Profetas profetizam; Eles prevêem. De acordo com a Fé Bahá'í, Maomé foi o último dos Profetas, ou seja, o último daqueles que profetizam. Por outras palavras, Maomé foi o último Profeta no "Ciclo da Profecia", que começou com Adão.

Muito bem. Maomé é o último Profeta. O último a profetizar. E o que vem depois? Quem vem depois?

A profecia termina quando começa o cumprimento. Depois do "Ciclo da Profecia" vem o "Ciclo de Cumprimento".

E o que significa isso, podemos perguntar?

É simples: as profecias predizem o futuro. Quando as profecias se tornam realidade, então elas cumprem-se. A profecia torna-se a realidade. É assim que funciona.

Cerca de um terço do Alcorão prediz o Último Dia. O Último Dia é um bom exemplo do que os Bahá’ís pretendem dizer com "Ciclo de Cumprimento".

Apesar dos profetas profetizarem, as suas profecias nem sempre são claras, e muitas vezes exigem interpretação. Para iniciar a interpretação de qualquer profecia temos de colocar esta questão fundamental: "A profecia é literal ou figurada?"


Vamos ver a primeira profecia que surge no Alcorão após o versículo 33:40. Ela aparece apenas quatro versículos mais à frente, no 33:44:
No dia em que eles forem levados à presença do seu Senhor, a sua saudação de uns para os outros será: "A paz esteja contigo". Deus preparou-lhes uma recompensa honrosa. (Alcorão 33:44, tradução de Muhammad Sarwar)
Outra tradução do mesmo versículo afirma o seguinte:
A sua saudação, no dia em que O encontrarem, será "Paz!" E Ele preparou-lhes uma generosa retribuição. (Alcorão 33:44, tradução de A.J. Arberry)
A tradução de Arberry ("O encontrarem") é literal. A tradução de Sardar ("levados à presença do seu Senhor ") é figurada. Isso está mais em consonância com a perspectiva Bahá’í.

Agora vamos usar nossa chave de quatro passos para compreender a linguagem profética:

Passo 1: Se é impossível, então não é literal. Porque é que a leitura literal é impossível aqui? Porque é impossível conhecer Deus directamente, frente a frente. O próprio Alcorão diz: "Nenhuns olhos mortais podem vê-Lo, mas Ele pode ver todos os olhos. Ele é Todo-Generoso e Omnisciente." (6:103, tradução de Muhammad Sarwar)

Passo 2: Se não literal, então é figurado. Qual é a comparação ou analogia aqui representada? O que se compara a "conhecer Deus"? Temos de concordar com isto: "encontrá-Lo" é literal. E isso é impossível. O que é possível é ser "levado à presença do seu Senhor", tal como traduz Sarwar.

Passo 3: Se é figurado, então é simbólico. Quais são as características que esse símbolo representa? O que significa "encontrar Deus"? Seja qual for o significado de "presença do seu Senhor", é certamente um evento em que a vontade de Deus é comunicada e divulgada de forma clara. Se não podemos encontrar-nos directamente com Deus, a próxima melhor coisa é encontrar o embaixador de Deus, o mensageiro de Deus, ou aquilo a que os Bahá’ís chamam "Manifestante de Deus", que expressa "Deus" em natureza, mas não em essência.

Passo 4: Se é simbólico, então é espiritual e social. Quem (ou o que) representa essas características? De acordo com os ensinamentos Bahá’ís, quando Deus envia um mensageiro à humanidade, esse mensageiro vem da presença de Deus e, portanto, representa Deus. Quem tem a graça e a bênção de encontrar o mensageiro de Deus, conseguiu - numa forma figurada e simbólica - "encontrar Deus" ao ser "levado à presença do seu Senhor".

Pensemos na "presença de Deus" como o carisma divino, uma aura de santidade, o nimbo do sagrado, o efeito de halo. Talvez seja uma surpresa saber que que o "carisma" é realmente um termo científico usado no mundo académico: os sociólogos da religião falam sobre os fundadores das grandes religiões mundiais como tendo "carisma".

Fiz o melhor que pude para simplificar a perspectiva Bahá'í sobre estes dois versículos-chave do Alcorão, que representam um grande plano dos dois ciclos: o Ciclo da Profecia, seguido pelo Ciclo de Cumprimento. Bahá’u’lláh deixa claro neste importante parágrafo do seu Livro de Certeza, dirigido ao mundo islâmico:
E no entanto, através do mistério do primeiro versículo [Alcorão 33:40], eles afastaram-se da graça prometida pelo segundo [Alcorão 33:44], apesar do facto do “alcançar da Presença divina” no “Dia da Ressurreição” ser explicitamente afirmada no Livro. Foi demonstrado e provado definitivamente, através de evidências claras, que por “Ressurreição” se pretende significar o aparecimento do Manifestante de Deus para proclamar a Sua Causa, e por “alcançar da Presença Divina” se pretende significar o alcançar da presença da Sua Beleza na pessoa do Seu Manifestante. Pois, em verdade, “Nenhum olhar O percebe, mas Ele percebe todos os olhares” [Alcorão 6: 103]. Não obstante todos estes factos indubitáveis e exposições claras, eles agarraram-se loucamente ao termo “selo”, e permaneceram totalmente privados do reconhecimento d’Aquele Que é o Revelador tanto do Selo como do Princípio, no dia da Sua presença [Baha’u’llah]. (Kitab-i-Íqán, ¶182) (citações do Alcorão em parêntesis rectos)

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Texto original: The Seal of the Prophets: Meeting God on the Last Day (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

sábado, 11 de novembro de 2017

Venerar Cristo e Bahá’u’lláh como Coração e Alma

Por Christopher Buck.

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz. (Isaías 9:6)
Fui educado como cristão, e sempre me ensinaram que Jesus era o único caminho para Deus. Anos mais tarde, tornei-me Bahá'í. Antes disso, tive que desfazer esta noção de "apenas Jesus" que recebi durante uma parte significativa da minha infância e adolescência.

Ao investigar a Fé Bahá’í - especialmente as afirmações da verdade de Bahá’u’lláh - sempre temi que, de alguma forma, pudesse perder a minha salvação. Para alterar ou mudar as minhas convicções, eu arriscava muito - para dizer o mínimo.

Deparei-me com esta questão: posso acreditar simultaneamente em Jesus Cristo e Bahá’u’lláh? Em caso afirmativo, como? ‘Abdu’l-Bahá respondeu a uma pergunta semelhante:
Colocaste-me duas perguntas: "Se o mesmo espírito se manifesta em todos os Manifestantes e Profetas, então, qual é a distinção ou diferença entre Cristo (ou melhor, Jesus) e os outros Profetas; também [qual é a diferença] entre Pai e Filho? "

Saibe que o espírito humano é um só, mas manifesta-se em vários membros do corpo de uma certa (medida ou) forma. O espírito humano existe no olhar (olhos); também existe no cérebro, que é a localização de grandes funções e poderes; também existe no coração, cujo órgão está fortemente ligado ao cérebro ou ao centro da mente; e o coração, ou o centro que é a ligação com o cérebro, tem uma função, efeito e aparência distintas e separadas...

Falando de forma figurada, o Pai é o centro do cérebro e o Filho é o centro do coração; o resto dos Profetas são membros e peças. Neste caso, o Pai e o Profeta são duas expressões da mesma coisa, como o homem e a criatura são dois nomes da mesma realidade. A palavra "homem", porém, é maior que a palavra "criatura" porque contém um significado mais importante do que o nome "criatura"; ambos são o mesmo. (Tablets of Abdul-Baha, pp. 102-103)
Neste texto notável, quando ‘Abdu’l-Bahá se refere ao "Filho", significa Jesus Cristo; da mesma forma, "o Pai" refere-se a Bahá’u’lláh.

A reacção do leitor – com justa indignação – poderá ser: "O quê??? Eu sempre pensei que o 'Pai' era Deus e apenas Deus!” Sim, isso está correcto. Mas convido o leitor a ler novamente a profecia de Isaías 9:6, citada acima. Este excerto, amplamente conhecido como a "Profecia Natalícia", sugere, por implicação, que o "Pai da eternidade" não pode logicamente ser o "Filho de Deus" - uma pedra angular fundamental da teologia Trinitária, e uma crença base daquilo que os teólogos sistemáticos às vezes se referem como "alta Cristologia".

Na sua "Epístola ao Papa Pio IX", Bahá’u’lláh afirma o seguinte:
Ó confluência de monges! As fragrâncias do Todo-Misericordioso sopraram sobre toda a criação. Feliz o homem que abandona os seus desejos e se segura firmemente à orientação. Ele, em verdade, é dos que alcançaram a presença de Deus neste Dia, um dia em que o alvoroço se apossou dos habitantes da terra e encheu de consternação todos salvo aqueles que foram libertados por Deus, Aquele que faz curvar os pescoços dos homens.

Adornais os vossos corpos, quando as roupas de Deus estão manchadas com o sangue de ódio pelas mãos do povo da negação? Saí das vossas habitações e ordenai ao povo que entre no Reino de Deus, o Senhor do Dia do Juízo. A Palavra que o Filho ocultou tornou-se manifesta. Foi enviada na forma de templo humano, neste dia. Bendito seja o Senhor, Que é o Pai! Ele, na verdade, veio às nações na Sua mais grandiosa majestade. Voltai as vossas faces para Ele, ó confluência dos justos!

Ó seguidores de todas as religiões! Vemos-vos vagueando enlouquecidos nos desertos do erro. Sois os peixes deste Oceano; então porque vos privais daquilo que vos sustém? Vejam! Agitou-se perante as vossas faces. Apressai-vos a ele vindo todas as regiões. Este é o dia em que a Rocha brada, grita e celebra o louvor do seu Senhor, o Possuidor de tudo, o Altíssimo, dizendo: “Vejam! O Pai já veio, e aquilo que foi prometido no Reino cumpriu-se!” Esta é a Palavra que foi preservada por detrás dos véus da grandeza e que, quando a Promessa se cumpriu, derramou com sinais claros o seu esplendor desde o horizonte da Vontade Divina (The Summons of the Lord of Hosts, pp. 58–59)
De forma sucinta, vamos agora aplicar à Profecia Natalícia (Is 9:6), os quatro passos para entender a profecia:

1º Passo: Se impossível, então não é literal.

Esta profecia não é literal, porque o "Pai da eternidade" não pode ser Deus se o nascimento mencionado na profecia de Isaías é humano: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu" (Isaías 9: 6). A maioria dos Cristãos pensa que "o Filho" aqui significa "o Filho de Deus" (Jesus Cristo). Mas "o Filho de Deus" não pode ser um e o mesmo que o "Pai da eternidade". Sim, eles são "um" em espírito, mas não idênticos.

2º Passo: Se não é literal, então é figurado.

'Abdu'l-Bahá apresenta uma perspectiva importante sobre a analogia expressa aqui: "Falando de forma figurada, o Pai é o centro do cérebro e o Filho é o centro do coração; o resto dos Profetas são membros e peças. Neste caso, o Pai e o Profeta são duas expressões da mesma coisa, como o homem e a criatura são dois nomes da mesma realidade." Por outras palavras, podemos interpretar "o Pai" figurativamente, não literalmente.

3º Passo: Se é figurado, então é simbólico.

Quanto às qualidades que este símbolo representa, "o governo está sobre os seus ombros" é uma das funções do símbolo do "Pai da eternidade". Esse governo provavelmente será um governo mundial, especialmente porque o "Pai da eternidade" é também o "Príncipe da Paz".

4º Passo: Se é simbólico, então é espiritual e social.

'Abdu'l-Bahá aplica a Profecia Natalícia a Bahá’u’lláh como o "pai". Bahá’u’lláh afirma claramente: "A Palavra que o Filho ocultou tornou-se manifesta. Foi enviada na forma de templo humano, neste dia. Bendito seja o Senhor, Que é o Pai! Ele, na verdade, veio às nações na Sua mais grandiosa majestade".

Assim podemos perceber que os Bahá’ís veneram Cristo como o coração ("o Filho é o centro do coração") e Bahá’u’lláh como alma.

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Texto original: Revering Christ and Baha’u’llah as Heart and Soul (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

sábado, 4 de novembro de 2017

Identificar a Linguagem Figurada para interpretar as Profecias

Por Christopher Buck.


Assim, medita sobre a palavra de um dos Profetas quando Ele deu a conhecer às almas dos homens, através de alusões veladas e símbolos ocultos, as boas novas d’Aquele que devia vir depois d’Ele, para que possas ter a certeza que as suas palavras são insondáveis para todos, salvo aqueles que estão dotados de um coração compreensivo. Ele disse: "Os seus olhos eram como chama de fogo", e "os pés semelhantes ao latão reluzente", e "da sua boca saía uma aguda espada". Como podem estas palavras ser interpretadas literalmente? Se alguém aparecesse com todos estes sinais, certamente não seria humano. (Bahá'u'lláh, Gems of Divine Mysteries, p. 52)
Entender profecias exige uma boa compreensão das figuras de estilo. A linguagem figurada e simbólica usada nas profecias utiliza cinco figuras básicas de retórica (existem muitas) que analisaremos de seguida; depois veremos como elas surgem na profecia bíblica e como os ensinamentos Bahá'ís as interpretam. Estas cinco figuras são:
1. Comparação (uma semelhança).
2. Metáfora (uma representação).
3. Parábola (uma fábula ou um símil ampliado).
4. Alegoria (uma metáfora ou história alargada).
5. Símbolo (uma coisa material que representa uma verdade espiritual).
Podemos ver a diferença entre uma comparação e uma metáfora nestes dois versículos bíblicos semelhantes: "Porque toda a carne é como a erva", de I Pedro 1:24, é uma comparação entre uma coisa com outra usando as palavras "como" ou "semelhante". "Toda carne é erva", a metáfora de Isaías 40:6, deixa de ser comparação e torna-se uma representação directa.

Um símbolo - como nas palavras de Jesus do Evangelho de Tomé, frase 7 - apresenta-se assim: "Bem-aventurado o leão que o homem come, pois o leão tornar-se-á homem; e maldito é o homem que o leão come, pois o leão tornar-se-á homem".

Neste "logion" (ou o dito de Jesus), um símbolo enigmático sinistro e profundo, sugere que o "leão" pode representar a natureza animal (ou as paixões) do homem.

Voltemos agora à questão de como entender a profecia identificando figuras de estilo usadas no texto. Vejamos Apocalipse 19: 11-15, por exemplo:
E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo;E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus;E seguiam-no os exércitos no céu, em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro;E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso;
Aqui está a minha análise do texto figurado deste excerto misterioso é a seguinte:
1. Comparação: "os seus olhos eram como chama de fogo ".
2. Metáfora: "o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus"; "o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso".
3. Parábola: "os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo".
4. Alegoria: "E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça".
5. Símbolo: "céu"; "cavalo branco"; "o que estava assentado sobre ele".
A interpretação Bahá'í deste excerto fascinante e profundo, explica os seus mistérios:
Agora explicarei brevemente o verdadeiro significado destas palavras, para que possas descobrir os seus mistérios ocultos e ser dos que entendem...

Sabe, pois, que Ele, que proferiu estas palavras nos reinos da glória, pretendeu descrever os atributos d’Aquele que virá, em termos tão velados e enigmáticos que escapam à compreensão do povo do erro.

Assim, quando Ele disse: "Os seus olhos eram como chama de fogo", Ele aludiu apenas à perspicácia da visão e à acuidade da visão do Prometido, que com os Seus olhos queima todo véu e capa, dá a conhecer os mistérios eternos no mundo contingente, e distingue os rostos que estão obscurecidos com a poeira do inferno daqueles que brilham com a luz do paraíso.

Quanto às palavras "pés semelhantes ao latão reluzente", isso significa a Sua constância ao ouvir o chamamento de Deus que o conduz: "Sê firme conforme te foi ordenado". Ele será tão perseverante na Causa de Deus, e evidenciará uma tal firmeza no caminho do Seu poder, que, mesmo que todos os poderes da terra e do céu O negassem, Ele não vacilaria na proclamação da Sua Causa, nem fugiria do Seu mandamento na promulgação das Suas Leis. Em vez disso, Ele será tão firme como as montanhas mais altas e os picos mais elevados... Já viste neste mundo latão mais forte, ou lâmina mais afiada, ou montanha mais firme do que esta?...

E além disso, Ele disse: "Da sua boca saía uma aguda espada." Sabe que, uma vez que a espada é um instrumento que divide e separa, e porque da boca dos Profetas e dos Eleitos de Deus procede aquilo que separa o crente do infiel e do amante do amado, este termo foi muito utilizado, e, além desta divisão e separação não se pretende qualquer outro significado. (Bahá'u'lláh, Gems of Divine Mysteries, pp. 53-56)
Vamos rever os quatro passos para "Entender a Profecia":
Passo 1: Excluir significado literal.
Passo 2: Identificar figuras de estilo.
Passo 3: Verificar as características representadas.
Passo 4: Aplicar aos eventos espirituais.
Usando essa abordagem, aqui está como Bahá’u’lláh interpretou Apocalipse 19:11-15:
Passo 1: "Como podem estas palavras ser interpretadas literalmente?"
Passo 2: "Medita sobre alusões veladas e símbolos ocultos; ... descobrir os seus mistérios ocultos".
Passo 3: "Descrever os atributos d’Aquele que virá".
Passo 4. Reconhecer "o Prometido" - Bahá'u'lláh.

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Texto original: Identifying Figurative Language to Interpret Prophecies (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Mais uma dirigente Bahá'í libertada no Irão


Fariba Kamalabadi, membro do antigo grupo de dirigentes Bahá’ís Iranianos, foi libertada da prisão após concluir a pena a que tinha sido condenada. É segundo membro deste grupo dirigente (os chamados “Yaran”) a ser libertado.

Embora já não esteja presa, a Sra. Kamalabadi, psicóloga, retomará a sua vida num país que não mudou no que toca ao seu tratamento prejudicial e injusto para com os Bahá'ís. Entre as muitas outras formas de repressão, encontrará uma comunicação social plenamente hostil em relação à comunidade Bahá'í. Também verá as enormes limitações nas oportunidades de emprego na administração pública e no sector privado, apenas porque é Bahá'í - limitações concebidas e implementada pelo governo iraniano após a Revolução Islâmica, em 1979.

A Sra. Kamalabadi, hoje com 55 anos, fazia parte do grupo ad hoc conhecido como "Yaran", que tratavam das necessidades básicas espirituais e materiais da comunidade Bahá’í iraniana e foi formado com pleno conhecimento e aprovação das autoridades, depois da ilegalização das instituições administrativas Bahá’ís na década de 1980.

A Sra. Kamalabadi e outros cinco membros do grupo foram detidos em Maio de 2008 após rusgas nas suas residências. Outro membro, Mahvash Sabet, foi detida dois meses antes, e libertada no mês passado depois de cumprir a sua pena.

Os cinco membros restantes do Yaran também estão perto de concluir as penas de prisão a que foram condenados Eles são: Jamalodin Khanjani, de 84 anos; Afif Naeimi, de 56 anos; Saeid Rezai, de 60 anos; Behrooz Tavakkoli, de 66 anos; e Vahid Tizfahm, de 44 anos.

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FONTE: Second member of Yaran released (BWNS)

Contentar-se apenas com uma existência animal?


sábado, 28 de outubro de 2017

4 Passos para entender os Mistérios da Profecia

Por Christopher Buck.


Ele disse: "Os seus olhos eram como chama de fogo", e "os pés semelhantes ao latão reluzente", e "da sua boca saía uma aguda espada". [ver Apocalipse 1: 14; 2:18; 19:15] Como podem estas palavras ser interpretadas literalmente? Se alguém aparecesse com todos estes sinais, certamente não seria humano. E como poderia qualquer alma procurar a sua companhia? Não, se aparecesse numa cidade, até os habitantes da cidade vizinha fugiriam dele, e nenhuma alma ousaria aproximar-se dele! No entanto, se reflectires sobre estas frases, descobrirás que elas têm uma eloquência e clareza insuperáveis que atingem os cumes sublimes da expressão e o epítome da sabedoria. Parece-Me que é a partir delas que os sóis da eloquência apareceram e as estrelas de clareza surgiram e brilharam resplandecentes. (Bahá’u’lláh, Gems of Divine Mysteries, pp. 52-53)
Sempre que nos deparamos com um texto das Escrituras, temos que tomar uma decisão - o texto é literal ou simbólico, metafórico e figurativo? Essa decisão inicial faz toda a diferença.

Este ensaio apresenta uma série de etapas, a que os estudiosos chamariam de abordagem ou técnica hermenêutica, para entender a profecia:
1. Se impossível, então não é literal.
2. Se não é literal, então é figurado.
3. Se é figurado, então é simbólico.
4. Se é simbólico, então é espiritual e social.
Esses métodos não cobrem todas as possibilidades proféticas, mas constituem uma ferramenta interpretativa útil. Vamos tentar um primeiro exemplo da compreensão espiritual da profecia, olhando para o sermão de Pedro em Pentecostes no livro dos Actos dos Apóstolos 2: 14-21:
Pedro, porém, pondo-se em pé, com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Varões judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus,
que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne;
e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão,
os vossos mancebos terão visões
e os vossos velhos sonharão sonhos;
E também do meu Espírito derramarei
sobre os meus servos e minhas servas,
naqueles dias, e profetizarão;
E farei aparecer prodígios em cima, no céu,
e sinais em baixo, na terra,
sangue, fogo e vapor de fumo.
O sol se converterá em trevas,
e a lua em sangue,
antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor;
E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Aqui, Pedro cita Joel 2: 28-32, não como uma profecia a ser cumprida no futuro, mas como cumprida no presente no Dia de Pentecostes, o evento que representa o nascimento da Igreja Cristã.

Nenhuma história contemporânea comprovou a ocorrência física destes eventos celestiais - isto é, que o sol ficou escuro e a lua tornou-se carmesim - eventos que evidentemente não ocorreram, apesar de Pedro ter dito o contrário. Este facto, por si só, força-nos a concluir que Pedro entendeu a profecia de Joel como um evento espiritual, e não como literal.

Vamos agora olhar para a profecia que Bahá'u'lláh comentou acima: Apocalipse 1: 14; 2:18; 19:15. Quanto ao 1º passo, Bahá'u'lláh exclui uma interpretação literal com esse argumento convincente:
Como podem estas palavras ser interpretadas literalmente? Se alguém aparecesse com todos estes sinais, certamente não seria humano. E como poderia qualquer alma procurar a sua companhia? Não, se aparecesse numa cidade, até os habitantes da cidade vizinha fugiriam dele, e nenhuma alma ousaria aproximar-se dele! (Gems of Divine Mysteries, p. 52)
O 2º passo pede-nos que identifiquemos a natureza da figura de estilo em si. Bahá'u'lláh descreve "Os seus olhos eram como chama de fogo" desta maneira:
Sabe, pois, que Ele, que proferiu estas palavras nos reinos da glória, pretendeu descrever os atributos d’Aquele que virá, em termos tão velados e enigmáticos que escapam à compreensão do povo do erro. (Gems of Divine Mysteries, p. 53)
Estes "termos velados e enigmáticos" são, obviamente, figurados, e não literais. Além disso, essa figura de estilo é uma comparação. Simplesmente isto!

Para o 3º passo, quando tentamos identificar as qualidades transmitidas pela linguagem figurada, poderíamos simplesmente perguntar: "Quais qualidades que podem ser representadas pelas «chamas de fogo»?" Aqui, Bahá'u'lláh faz exactamente isso:
Assim, quando Ele disse: "Os seus olhos eram como chama de fogo", Ele aludiu apenas à perspicácia da visão e à acuidade da visão do Prometido, que com os Seus olhos queima todo véu e capa, dá a conhecer os mistérios eternos no mundo contingente, e distingue os rostos que estão obscurecidos com a poeira do inferno daqueles que brilham com a luz do paraíso.

Se os Seus olhos não fossem feitos com o fogo ardente de Deus, como poderia Ele reduzir a cinzas todo o véu e a consumir tudo o que o povo possui? Como poderia Ele contemplar os sinais de Deus no Reino dos Seus nomes e no mundo da criação? Como poderia Ele ver todas as coisas com os olhos de Deus que tudo percebem?... Pois, de facto, que fogo é mais feroz do que esta chama que brilhou no Sinai dos Seus olhos, com a qual Ele consumiu tudo o que encobriu os povos do mundo? (Gems of Divine Mysteries, p. 54)
Quanto ao 4º passo, quando tentamos determinar o evento espiritual a que a profecia alude, Bahá'u'lláh sugere, mas não divulga abertamente, o evento espiritual - o Seu próprio advento, cumprindo estas mesmas profecias do Livro do Apocalipse.

Na verdade, sabemos que esta profecia não pode referir-se literalmente a Jesus Cristo, pelo menos em nome, pois em Apocalipse 19:12 lemos:
E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo;
Este é o "novo nome" anteriormente referido em Apocalipse 2:17 e 3:12:
Ao que vencer, darei eu a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.

A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
Se, como a maioria de nós, você já se esforçou para entender os mistérios da profecia, esta técnica pode ajudar. No próximo artigo, analisaremos alguns conceitos básicos sobre linguagem figurada que podem ajudar ainda mais.

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Texto original: 4 Steps for Understanding the Mysteries of Prophecy (www.bahaiteachings.org)

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Christopher Buck (PhD, JD), advogado e investigador independente, é autor de vários livros, incluindo God & Apple Pie (2015), Religious Myths and Visions of America (2009), Alain Locke: Faith and Philosophy (2005), Paradise e Paradigm (1999), Symbol and Secret (1995/2004), Religious Celebrations (co-autor, 2011), e também contribuíu para diversos capítulos de livros como ‘Abdu’l-Bahá’s Journey West: The Course of Human Solidarity (2013), American Writers (2010 e 2004), The Islamic World (2008), The Blackwell Companion to the Qur’an (2006). Ver christopherbuck.com e bahai-library.com/Buck.

sábado, 21 de outubro de 2017

Quem foi Bahá’u’lláh?

Por Rodney Richards.


Quem foi Bahá’u’lláh? Uma pergunta mais correcta seria: "Quem é Bahá’u’lláh?", porque Ele ainda hoje inspira milhões de crianças, jovens e adultos em todo o mundo. Como é que alguém ainda inspira milhões de pessoas quase cento e vinte e cinco anos após a sua morte?

Como se fossem milhares de grandes personalidades que deixam a sua marca no progresso da humanidade, a Fé de Bahá’u’lláh impulsiona a humanidade para um futuro glorioso e edificante. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh persistem após o seu falecimento (em 1892) e têm ainda mais significado no mundo de hoje do que quando Ele os revelou no século XIX.

Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh é um daqueles grandes reveladores da história, como Cristo, Maomé, Buda, Krishna, o Báb e outros. O Seu aparecimento foi anunciado pela dramática figura do Bab em meados do século XIX, na Pérsia, que foi executado por um regimento de 750 soldados por anunciar o advento de um novo profeta universal de Deus. Bahá’u’lláh era aquele a que o Bab se referia como "Aquele que Deus tornará Manifesto" e que guiou os primeiros Bábis durante décadas de perseguição cruel e desumana pelas mãos fanáticas do clero, governo e população muçulmanas:
Dominando todo a extensão deste espectáculo fascinante, destaca-se a incomparável figura de Bahá'u'lláh, transcendente na Sua majestade, sereno, inspirador, irreversivelmente glorioso. (Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, p. 97)
Em Abril de 1863, no Jardim de Ridvan, situado numa pequena ilha no rio Tigre, nos arredores de Bagdade, Bahá’u’lláh anunciou aos Seus seguidores que Ele era, de facto, o prometido pelo Báb, cuja ordem mundial "revolucionaria" os destinos da humanidade. Hoje, mais de cinco milhões de seguidores, distribuídos por mais de 100 mil localidades, trabalham para promover a mensagem central de Bahá’u’lláh: chegou a hora da humanidade se unir e pôr fim aos seus comportamentos ruinosos, infantis e antagónicos. Bahá’u’lláh afirmou que estamos próximos da idade da maturidade da humanidade, em que todos poderemos finalmente viver em paz, harmonia e prosperidade.

O nome Bahá’u’lláh é um título que significa "Glória de Deus", e que cumpre diversas passagens da Bíblia e outras escrituras. Os títulos "Ancião dos Dias" e "Beleza Antiga" significam a Sua sabedoria, sagacidade e unidade com o Criador único. "O Senhor dos Exércitos" significa a Sua posição de senhor do tempo, e a "Nova Jerusalém que desceu dos céus" simboliza plenamente a Sua nova revelação directa de Deus para toda a humanidade.
Testemunho perante Deus a grandeza, a inconcebível grandeza desta revelação. Repetidamente, na maioria das Nossas Epístolas, testemunhamos essa verdade, para que a humanidade pudesse ser acordada da sua negligência. (Bahá'u'lláh, citado em The Advent of Divine Justice, p. 77)
A "inconcebível grandeza desta revelação" recebe a sua inspiração dos ensinamentos de Bahá’u’lláh para um mundo desorientado e dividido, para uma humanidade que se debate entre o perceber da sua própria grandeza e o revoltar-se com as suas próprias depravações. Toda a humanidade reconhece que a ordem actual é "lamentável defeituosa", que um novo dia e uma nova mensagem são necessárias para mudar o seu destino e afastar-se do caminho actual da sua própria destruição.

Bahá’u’lláh afirma ter trazido esse novo dia e essa nova mensagem, proclamando isso de forma aberta e directa para que todos a examinem. É um novo dia precisamente porque "todas as Dispensações do passado atingiram a sua mais elevada e derradeira consumação" nesta nova revelação trazida por Bahá’u’lláh:
O que se tornou manifesto neste preeminente, nesta mais exaltada Revelação, não tem paralelo nos anais do passado, nem as eras futuras testemunharão algo semelhante. (Idem, pags. 103-104)
O que Bahá’u’lláh declara aos seguidores de todas as outras religiões é, no mínimo, surpreendente:
“Seguidores do Evangelho, eis que as portas do céu plenamente abertas. Aquele que lhe ascendeu voltou agora. Dai ouvidos à Sua voz que brada sobre a terra e o mar, anunciando a toda humanidade o advento da Sua Revelação..." E ao povo judeu: "E da Sarça-ardente surgiu o grito: ‘Eis que a Promessa sagrada foi cumprida, porque Ele, o Prometido, já veio!’" E "O Pai já veio. Aquilo que vos foi prometido no Reino de Deus cumpriu-se." E aos seguidores de Maomé, Bahá’u’lláh grita: "Se Maomé, o Apóstolo de Deus, tivesse alcançado este Dia, teria exclamado: 'Eu, em verdade, reconheço-Te, ó Desejo dos Mensageiros Divinos!'" (citado por Shoghi Effendi, The World Order of Baha’u’llah, pags. 104-105)
Sim, estas são as surpreendentes afirmações que Bahá’u’lláh fez. A Sua vida, a beleza dos Seus ensinamentos, os Seus milhares de livros e epístolas, e os Seus milhões de fiéis seguidores dão-lhes credibilidade. Tudo está disponível gratuitamente para leitura e estudo.

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Texto original: Who Was Baha’u’llah? (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 14 de outubro de 2017

Porquê este fascínio por Bahá’u’lláh?

Por David Langness.


Este é o Dia em que o Oceano da misericórdia de Deus se manifestou aos homens, o Dia em que o Sol da Sua benevolência derramou o Seu esplendor sobre eles, o Dia em que as nuvens do Seu caridoso favor cobriram toda a humanidade. (Bahá’u’lláh, SEB, V)
Quem foi Bahá’u’lláh, o Profeta fundador da Fé Bahá’í?

Nascido em Teerão, na Pérsia, em Novembro de 1817, o Seu nome próprio era Mirza Husayn Ali. Filho de Mirza Abbas, um conhecido proprietário e membro do governo provincial de Nur, Bahá’u’lláh era descendente de Abraão e de Zoroastro. No início da Sua vida adulta, Bahá’u’lláh tornou-Se conhecido na Pérsia como “o Pai dos Pobres” devido aos seus trabalhos de assistência aos indigentes e aos desamparados. Poeta e místico Sufi, Bahá’u’lláh apoiou a Fé Bábi em 1844 e divulgou entusiasticamente a nova e revolucionária religião. Apesar da perseguição por parte do clero Muçulmano, apesar de ter sido preso e torturado, Bahá’u’lláh tornou-se um líder Bábi. Depois da execução do Báb em 1850, Bahá’u’lláh anunciou o início da Fé Bahá’í em 1863, no término do Seu exílio em Bagdade. Passou o resto da Sua vida na prisão e no exílio, proclamando a Sua no Fé e os seus princípios de paz, amor universal e unidade mundial.

Mas quem foi este homem que inspirou tamanha lealdade e amor entre tantos dos seus devotados seguidores?

Eis uma breve descrição, do livro A Concise Encyclopedia of the Baha’i Faith, de Peter Smith,
A grande devoção e amor que os seus seguidores sentem por Bahá’u’lláh tornam difícil conseguir uma noção sobre quem ele, realmente, era. Assim, os seus relatos sobre Bahá’u’lláh enfatizam a sua presença dominante e inefável, com um escritor afirmando que era quase impossível para alguém olhá-lo nos olhos ou proferir uma frase completa na sua presença. (p.78)
E.G. Browne
Aqui fica outra descrição mais detalhada do conhecido orientalista britânico E. G. Browne, o único ocidental que se encontrou com Bahá’u’lláh:
“A face d’Aquele para quem eu olhava”, é o memorável testemunho do entrevistador para a posteridade, “nunca poderei esquecer, apesar de não a conseguir descrever. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler a própria alma de uma pessoa; poder e autoridade emanavam daquela testa ampla… Não foi necessário perguntar na presença de quem me encontrava, enquanto me curvava perante aquele que é objecto de uma devoção e amor que os reis podem invejar e os imperadores suspirar em vão.” “Aqui”, testemunhou o próprio visitante, “passei cinco dias muito memoráveis, durante os quais apreciei oportunidades inesperadas e sem paralelo de me relacionar com aqueles que são as principais fontes desse espírito poderoso e maravilhoso, que trabalha com uma crescente força invisível, para o transformar e despertar de um povo trôpego num sono semelhante à morte. Foi, na verdade, uma experiência estranha e tocante, mas da qual lamento não conseguir transmitir nada salvo a mais fraca das impressões.” (citado por Shoghi Effendi, God Passes By, p. 193)
Tal como todos os Profetas e fundadores das grandes religiões mundiais, Bahá’u’lláh sofreu tremendamente como resultado dos seus novos ensinamentos. Ele deixou princípios sobre paz mundial, unidade racial e religiosa, harmonia entre ciência e religião, igualdade entre homens e mulheres, e a eliminação de extremos de pobreza e riqueza. Advogou um sistema de educação universal e obrigatório, a adopção de uma língua auxiliar universal e a criação de um sistema de governação mundial. Tal como todos os mensageiros religiosos, todos estes ensinamentos colocaram Bahá’u’lláh em desacordo com o clero e os funcionários governamentais do seu tempo - mas por fim atraiu milhões de devotados seguidores em todo o mundo.

Talvez se perceba porquê no seguinte excerto da descrição de E.G.Browne sobre o seu encontro com Bahá’u’lláh:
Louvado seja, pois conseguiste!... Vieste ver um prisioneiro e um exilado… Apenas desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações; no entanto, consideram-nos um fomentador de conflitos e sedição, merecedor de cativeiro e desterro… Que todas as nações se tornem uma na fé e todos os homens sejam irmãos; que os laços de afecto e unidade entre os filhos dos homens se fortaleçam; que a diversidade de religião termine e as diferenças de raças sejam anuladas – que mal há nisto?... No entanto, assim será; estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas desaparecerão e a “Mais Grandiosa Paz” virá… Não precisam disto também na Europa? Não foi isto que Cristo predisse?... No entanto, vemos os vossos Reis e governantes esbanjando os seus tesouros mais livremente em meios de destruição da raça humana do que naquilo que é conducente à felicidade da humanidade... Estas lutas e estas carnificinas e discórdias devem cessar, e todos os homens devem ser como da uma família… Que nenhum homem se glorifique porque ama o seu país; que se glorifique antes porque ama a sua espécie… (Bahá’u’lláh, citado por J. E. Esslemont’s Baha’u’llah and the New Era, pags. 39-40)

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Texto original: Who was Baha’u’llah - and Why Do So Many People Follow Him? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 7 de outubro de 2017

7 Provas da Missão de Bahá’u’lláh

Por Marty Schirn.


Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í, afirmou ser o Mensageiro de Deus para este momento da história humana.

Além disso, declarou que ser o Prometido de todas as religiões, vindo para unir a raça humana e estabelecer o reino de Deus na Terra.

Como podemos determinar se essas afirmações são verdadeiras ou falsas?

Cristo definiu o padrão. Quanto ao aparecimento de falsos profetas, Ele disse: "Pelos seus frutos os conhecereis." - Mateus 7:16.

Então, para vossa consideração, aqui ficam sete frutos (ou provas) de que Bahá’u’lláh é um Profeta:

1. A beleza, a visão e o poder das Suas Escrituras. (Os pronomes "Eu", "Meu" e "Minha" referem-se a Deus.)
Ó Filho do Homem! Velado no Meu ser imemorial e na antiga eternidade da Minha essência, conheci o Meu amor por ti; por isso, te criei, gravando em ti a minha imagem e revelando-te a minha beleza. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, do Árabe, #3)

Ó Filho do Ser! És a minha lâmpada e a Minha luz está em ti. Obtém dela o teu esplendor e não procures outro salvo Eu. Pois Eu criei-te rico e generosamente derramei o meu favor sobre ti. (Idem. #11)

Ó Filho do Espírito! Criei-te rico; porque te deixas cair na pobreza? Fiz-te nobre; porque te rebaixas? Da essência do conhecimento, Eu te dei existência; porque procuras a iluminação de alguém além de Mim? Do pó do amor, Eu te moldei; como te ocupas com outro? Volta o teu olhar para ti próprio, para que Me encontres dentro de ti, forte, poderoso e subsistindo por Mim próprio. (Idem. #13)

2. Os Seus Ensinamentos

Os ensinamentos Bahá’ís elevam a raça humana. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh centram-se em três princípios básicos: a unicidade de Deus, a unicidade da humanidade e a unicidade da religião.

Tem sido repetidamente provado que a unidade e a harmonia são benéficas. Bahá’u’lláh enfatizou a necessidade da unidade mundial. Somente a unidade mundial pode elevar a raça humana e guiá-la para a próxima fase de desenvolvimento: uma civilização espiritual global.

3. A Sua vida

Bahá’u’lláh aceitou voluntariamente sofrer uma intensa perseguição devido aos Seus princípios e ensinamentos. Nunca fugiu. Nunca vacilou.

Bagdade no séc. XIX.
Bahá’u’lláh foi condenado, torturado e aprisionado. Os Seus bens foram confiscados; cuspiram-Lhe em cima, ridicularizaram-No, apedrejaram-No e envenenaram-No. Lançaram-No numa masmorra subterrânea escura, gelada, húmida e infestada de percevejos. Uma pesada corrente foi colocada no Seu pescoço; os Seus pés estiveram presos num tronco. Foi exilado quatro vezes; de Teerão, na Pérsia, para Bagdade, para Constantinopla e Adrianópolis no Império Otomano, para Akka na Palestina. Viveu a maior parte da Sua vida como prisioneiro.

Ele nunca fez mal algum. Mas o clero muçulmano colaborou com os governos persa e otomano fazendo tudo o que fosse possível para tentar destruir o que eles sentiam ser uma heresia perigosa e em rápido crescimento, e suprimir e destruir os ensinamentos progressistas Bahá'ís.

Apesar da perseguição intensa, Bahá’u’lláh escreveu mais de cem volumes revelando o plano de Deus para a realização de uma paz universal duradoura.

4. O efeito da Sua vida e ensinamentos sobre os Seus seguidores

Durante a vida de Bahá’u’lláh, milhares de pessoas passaram por uma transformação espiritual que mudou drasticamente as suas vidas. Tal como Bahá’u’lláh, também foram condenados por heresia e foram duramente torturados e executados. Hoje, milhões de pessoas seguem os ensinamentos de Bahá’u’lláh.

5. As profecias que Ele fez

Alguns tornaram-se realidade; alguns estão-se a tornar hoje realidade. Aqui fica uma do passado. Bahá’u’lláh escreveu cartas aos governantes e aos líderes religiosos do Seu tempo. Entre eles, estava Napoleão III.

Bahá’u’lláh condenou o desejo de Napoleão pela glória militar e por se ter envolvido na Guerra da Crimeia. Aqui fica um excerto da Sua Epístola a Napoleão III, revelada em 1868:
Pelo que fizeste, o teu reino será lançado na confusão, e o teu império passará das tuas mãos, como castigo pelo que forjaste. (The Proclamation of Baha’u’llah, p. 20)
Dois anos depois, na Batalha de Sedan, Napoleão sofreu a maior derrota da história militar até então. Foi feito prisioneiro, o seu Império entrou em colapso e a República Francesa foi estabelecida.

6. As profecias que Ele cumpriu

Bahá’u’lláh cumpriu inúmeras profecias existentes em todos os livros sagrados. Aqui está uma:
A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. (Apocalipse 3:12)
A partir desta profecia, torna-se evidente que Cristo não regressará com o mesmo nome. Será uma pessoa diferente, tal como Cristo era diferente de Moisés. Os Bahá’ís acreditam que Bahá’u’lláh cumpriu essas profecias e muitos outras de diversas religiões.

7. O crescimento global da Fé Bahá’í
A Fé Bahá’í está estabelecida em praticamente todos os países e em muitos territórios dependentes e departamentos ultramarinos. Os Bahá’ís residem em mais de 100 mil localidades. Cerca de 2100 tribos indígenas, raças e grupos étnicos estão representados na comunidade Bahá’í... A literatura Bahá’í está traduzida em mais de 800 idiomas. (The Baha’i World News Service)
Estes são apenas alguns dos frutos da revelação de Bahá’u’lláh. Em menos de dois séculos, esta espalhou-se por todo o mundo e conquistou os corações e a imaginação de milhões. Os Seus ensinamentos avançados e progressistas, o seu acolhimento caloroso a todas as pessoas, e a sua visão profundamente espiritual da realidade contribuem para o funcionamento da Fé Bahá’í. Uma religião pode ter muitos ensinamentos e princípios universais maravilhosos - mas para que essa religião realmente funcione na prática, isso é poderoso, profundo e aumenta as provas de Bahá’u’lláh foi um Profeta.

Assim, se estiver interessado, investigue a vida e os ensinamentos de Bahá’u’lláh, leia as Suas palavras e decida por si próprio se as Suas afirmações são verdadeiras.

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Texto original: 7 Proofs of Baha’u’llah’s Mission (www.bahaiteachings.org)

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Marty Schirn é um Bahá’í de origem Judaica. Estudou psicologia e administração de empresas. Viveu em Chicago, onde trabalhou no jornal Chicago Tribune e como guia no Templo Bahá’í de Chicago. Actualmente, vive em Tucson, no Arizona (EUA)