sábado, 17 de fevereiro de 2018

Harmonizar Sexualidade e Espiritualidade no Casamento



Os ensinamentos Bahá'ís sustentam que a intimidade sexual é um acto profundo de unidade no casamento e que a concepção e criação de filhos é um propósito sagrado dessa unidade.

Além de ter filhos, a intimidade sexual saudável no casamento contribui tremendamente para o bem-estar mental, emocional, espiritual e físico dos cônjuges. A saúde sexual no casamento é importante.

A ideia comum no mundo de hoje é que o sexo é principalmente um acto de prazer físico. Esta perspectiva não reconhece a sua realidade sagrada ou a nossa natureza fundamentalmente espiritual. Muitas vezes, as pessoas separam inconscientemente assuntos sexuais e espirituais.

Harmonizar sexualidade e espiritualidade pode ser algo que muitas pessoas não consideram. À medida que se vai compreendendo cada vez melhor este conceito, aumenta a capacidade pessoal de experimentar maiores níveis de coerência entre as convicções espirituais e os actos sexuais. Para conseguir isso, é necessário aplicar a capacidade espiritual em todos os aspectos da vida, incluindo a sexualidade.

O corpo humano é visível, a alma é invisível. É a alma, no entanto, que dirige as faculdades de um homem, que governa a sua humanidade. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 85)

Deste ponto de vista espiritual, também podemos apreciar o propósito de Deus - e a dádiva que Ele nos deu - ao criar o casamento como uma instituição sagrada. Os ensinamentos Bahá'ís exaltam o casamento como uma "fortaleza para o bem-estar", que inclui o bem-estar sexual e social. Esta estrutura social básica apresenta uma oportunidade segura e claramente definida para que os cônjuges se voltem um para o outro com os impulsos sexuais que Deus lhes deu. Isso permite que os casais experimentem uma expressão única, íntima e profunda do seu amor:

... o casamento deve ser uma união do corpo e do espírito, pois aqui marido e mulher estão extasiados com o mesmo vinho, estão ambos enamorados pela mesma Face incomparável, vivem e movem-se pelo mesmo espírito, ambos são iluminados pela mesma glória. Esta ligação entre eles é espiritual, e portanto, é um laço que permanecerá para sempre. Da mesma forma, eles gozam de laços fortes e duradouros no mundo físico, pois, se o casamento se baseia tanto no espírito como no corpo, então essa união é verdadeira, e portanto, irá durar. Se, no entanto, a ligação for física e nada mais, é certo que será apenas temporária e deve terminar inexoravelmente na separação. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #84)

Esta citação Bahá'í reconhece o problema de negligência da natureza espiritual da relação conjugal. Também aparenta validar e oferecer ao casal a possibilidade de experimentar as alegrias espirituais e físicas da sua união sexual.

Considere esta opinião semelhante do escritor Tim Alan Gardner no livro Sacred Sex, A Spiritual Celebration ofOneness in Marriage (Sexo Sagrado, Uma Celebração Espiritual da Unicidade no Casamento):

... Deus poderia ter organizado toda a reprodução de qualquer forma que quisesse: um botão escondido, um aperto de mão super-secreto ou algum intercâmbio facial único que provocasse a concepção. Realmente, Ele poderia ter feito isso. Mas, em vez disso, Ele concebeu o sexo. Deve ter tido um bom motivo, mas qual seria? A resposta, resumidamente, é que Deus queria que o sexo fosse muito mais do que apenas uma coisa muito divertida para marido e mulher fazerem juntos. E Ele queria que fosse mais do que uma maneira extremamente agradável de povoar o planeta. Ele tinha em mente um objectivo muito mais elevado. Deus criou o sexo conjugal como um encontro com o divino. A intimidade sexual, com todas as suas emoções esmagadoras e batimentos cardíacos, nunca teve como objectivo ser apenas experimentada nos reinos emocional e físico. Em vez disso, é uma experiência espiritual, mesmo mística, em que dois corpos se tornam um único. Deus está presente de forma muito real sempre que isso acontece. O sexo é realmente sagrado. É um espaço sagrado partilhado na intimidade do casamento. (pags. 4-5)

Quando um casal dá prioridade ao seu relacionamento espiritual e ao amor mútuo, pode experimentar as alegrias espirituais e físicas dessa união:

... a união deve ser uma verdadeira relação, um encontro espiritual e também físico, de modo que durante toda as fases da vida e em todos os mundos de Deus, a sua união persista; pois essa unicidade real é um brilho do amor de Deus. (Selections from the Writings ofAbdu’l-Baha, #84)

... marido e mulher devem estar unidos tanto física como espiritualmente, para que possam melhorar a vida espiritual um do outro e possam desfrutar da unidade eterna em todos os mundos de Deus. (Idem, #86)

Mais especificamente, quais são algumas das qualidades espirituais, ou virtudes, que um casal pode conscientemente tentar aplicar à sua vida sexual conjunta? Benevolência. Fidedignidade. Honestidade e delicadeza. Generosidade. Criatividade. Respeito. Entusiasmo. Cada uma destas fortalece-se com a prática. Estas são apenas algumas qualidades espirituais que sustentam uma relação sexual vital e feliz. Uma abordagem espiritual para criar um maior grau de unidade e satisfação sexual é perguntar: "Que qualidades (ou virtudes) podemos aplicar a nossa vida íntima?"

Idealmente, os aspectos físicos e espirituais da união conjugal podem ser bem integrados. Dito isto, é comum que os casais enfrentem "incompatibilidades" e dificuldades sexuais. Infelizmente, alguns testes tornam-se impossíveis de superar. No entanto, mesmo as questões mais difíceis podem ser abordadas quando o casal procura entender os problemas sexuais através de uma perspectiva espiritual e ambos estão dispostos a utilizar o casamento como veículo de crescimento pessoal.

Em verdade, o teu Senhor transforma as dificuldades em facilidades, problemas em sossego, e as aflições na maior serenidade. ('Abdu’l-Baha, Tablets of Abdu’l-Baha, Volume 2, p. 311)

Os ensinamentos Bahá’ís encorajam uma abordagem equilibrada ao sexo; aconselham-nos para não sermos ignorantes, desdenhosos ou puritanos, nem a enfatizar demasiadamente a importância do sexo na vida humana. Ao aproveitar a nossa capacidade inata de resolução de problemas e procurar uma perspectiva espiritual que permita o nosso maior e mais holístico bem-estar, estamos a caminho de nos tornamos sexualmente mais maduros e espiritualmente mais integrados, tanto individual como colectivamente.

----------------------------------

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Kelly Monjazeb é assistente social e tem formação na área da educação sexual. Tem-se dedicado a aconselhamento de problemas relacionados com igualdade de género e sexualidade humana. O seu website é website: SpiritFirstSeminars.com

Susanne Alexander é conselheira matrimonial e tem organizado vários cursos sobre casamento. (www.marriagetransformation.com; www.bahaimarriage.net).  

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A Fé Bahá’í é uma “Religião”?



Talvez você seja como eu. Talvez tenha havido momentos em que lhe perguntaram o que é a Fé Bahá’í e no momento em que os seus lábios proferem a palavra "religião", o seu interlocutor fica apreensivo. Talvez lhe respondam que a religião é o opio do povo, que é uma ficção desactualizada que não responde às necessidades de hoje, que é a causa de desnecessário derramamento de sangue e guerra, que a religião gera intolerância em relação às pessoas de outras religiões ou que a fé em algo maior que nós não deve ser organizada e administrada. A propósito do Dia Mundial da Religião, pensei em explorar o que significa a palavra "religião" no contexto das Escrituras Bahá’ís.

Aqui estão algumas palavras de ‘Abdu’l-Bahá que descrevem o que a religião é:

A verdadeira religião baseia-se no amor e na concórdia. Bahá’u’lláh disse: "Se a religião e a fé são as causas da inimizade e sedição, é muito melhor ser não-religioso, e a ausência de religião seria preferível; pois desejamos que a religião seja a causa da amizade e da comunhão. Se existe inimizade e ódio, a irreligião é preferível ". Portanto, a eliminação desta contenda foi destacada por Bahá’u’lláh, pois a religião é o remédio divino para o antagonismo e a discórdia humanas. Mas quando tornamos o remédio na causa da doença, então seria melhor ficar sem o remédio".[1]

No livro O Segredo da Civilização Divina, 'Abdu'l-Bahá escreve:

O nosso objectivo é mostrar como a verdadeira religião promove a civilização e a honra, a prosperidade e o prestígio, a aprendizagem e o progresso de um povo, outrora abjecto, escravizado e ignorante, e como, quando cai nas mãos de líderes religiosos que são loucos e fanáticos, é desviada para fins errados, até que estes grandes esplendores se tornam a noite mais tenebrosa.[2]

As pessoas que me fazem perguntas sobre a Fé estão correctas e a sua desconfiança em relação à religião é perfeitamente compreensível e justificada. O que eles expressam é apenas uma manifestação subtil de um problema muito maior: uma crise religiosa global. Na pior das hipóteses, esta crise religiosa é demonstrada através de actos de violência atroz cometidos em nome da religião e em nome de Deus. A religião precisa de se "libertar dos grilhões que até agora a impediram de ter uma influência curadora de que é capaz." [3]

A Casa Universal da Justiça, profundamente consciente de que "a doença do ódio sectário, se não for examinada de forma decisiva, ameaça ter efeitos angustiantes que deixarão poucas áreas do mundo imunes"[4] escreveu uma carta aberta aos líderes religiosos do mundo em 2002. Esta carta apelava à coragem por parte dos crentes de todas as fés - coragem para combater o preconceito contra a religião, elevando-a acima de "conceitos rígidos herdados de um passado distante."[5] Penso que pode valer muito a pena compreender profundamente o que aconteceu com a religião, como a religião é vista e como Bahá’u’lláh reformulou o próprio conceito de religião.

O documento Uma Fé Comum foi preparado sob a supervisão da Casa Universal da Justiça em 2005 e é um comentário maravilhoso que aborda esta questão e que pretende catalisar um novo entendimento sobre a fé religiosa. O texto contém excertos das Escrituras e descrições do discurso popular para explicar o mundo em que vivemos e como evoluir.

Aborda, por exemplo, os conhecidos equívocos sobre religião. Explica que, para muitas pessoas, a religião é a multidão de seitas religiosas actualmente existente. Para outros, são os "grandes sistemas independentes de crenças da história", como o Cristianismo e o Islão. Para alguns, a religião é simplesmente uma atitude universalmente disponível e para outros é um estilo de vida cheio de rituais e sacrifícios. "O que todas as diferentes concepções têm em comum", afirma-se, "é a medida em que um fenómeno conhecido por transcender completamente os limites humanos, acabou por ser gradualmente aprisionado em limitações conceptuais - sejam eles organizacionais, teológicas, experimentais ou rituais - de origem humana".[6] Analisa o que aconteceu com a religião ao longo do tempo e como "embora as verdades recebidas das grandes fés permaneçam válidas, a experiência diária de um indivíduo no século XXI está inimaginavelmente afastada daquela que ele ou ela teria conhecido em qualquer uma dessas idades quando essa orientação foi revelada."[7]

O documento explora aquilo que deve ser o nosso entendimento sobre a religião. Afirma:

[...] Bahá’u’lláh não trouxe à existência uma nova religião para ficar junto à actual multiplicidade de organizações sectárias. Em vez disso, Ele reformulou todo o conceito de religião como a principal força impulsionadora do desenvolvimento da consciência. Como a raça humana em toda a sua diversidade é uma espécie única, então a intervenção com que Deus cultiva as qualidades da mente e do coração latente nessa espécie é um processo único. Os seus heróis e santos são os heróis e os santos de todas as etapas dessa luta: os seus sucessos são os sucessos de todas as eras. Este é o modelo demonstrado na vida e no trabalho do Mestre e exemplificado hoje numa Comunidade Bahá'í que se tornou o herdeiro do legado espiritual de toda a humanidade, um legado igualmente disponível para todos os povos da Terra.[8]

A declaração Uma Fé Comum conclui com estas palavras poderosas:

As sucessivas dispensações de um Criador amoroso e intencional levaram os habitantes da Terra ao limiar de sua maturidade colectiva enquanto povo único. Bahá’u’lláh apela à humanidade para estrear a sua herança: "O que o Senhor ordenou como o remédio soberano e o instrumento mais poderoso para a cura do mundo é a união de todos os seus povos numa única Causa universal, uma fé comum". [9]

Ler Uma Fé Comum deu-me um melhor entendimento, um contexto mais claro, sobre os motivos que levam o meu interlocutor a escarnecer da religião. Espero que me tenha tornado uma melhor ouvinte das suas preocupações porque vivemos num século muito mais receptivo do que o último e "uma mudança radical na consciência humana está em movimento". [10]

---------------------------------
REFERÊNCIAS:
[1] - Promulgation of Universal Peace, p.232
[2] - 'Abdu'l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p.80
[3] - The Universal House of Justice, One Common Faith, p.iii
[4] - Idem. p.i
[5] - Idem. p.i
[6] - Idem. p.18-9
[7] - Idem. p.15
[8] - Idem. p.23
[9] - Idem. p.56
[10] - Idem. p.3


-----------------------------------------------------

Sobre a autora: Sonjel Vreeland é bibliotecária e museologista e vive na ilha de Prince Edward (costa oriental do Canadá). É escritora, leitora ávida, mãe e esposa.


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Budistas, Bahá’ís e o Dogma



O Buda afirmou: "a vida religiosa não depende do dogma". Para os Budistas, o dogma "não tem benefícios, nem tem que ver com os fundamentos da religião, nem tende para a aversão, ausência de paixão, cessação, quietude, faculdades sobrenaturais, sabedoria suprema e nirvana; portanto, não o expliquei". Em resumo, a essência da religião, como os Bahá’ís acreditam, centra-se no refinamento do carácter humano, no nosso alinhamento com a realidade divina (nirvana) e na construção da civilização. Transformá-la em distinções obscuras, não é produtivo.

Mas apesar do Buda não se alongar na teologia, Ele afirma claramente:

“Existe o Não-nascido, o Não-formado, o Não-criado, o Não-composto; se não existisse, ó mendicantes, não haveria saída do mundo do nascido, do formado, do criado e do composto.” (Udana 8:3 in The Spiritual Heritage of India, Swami Prabhavananda, p. 181)

Essa fonte de salvação Não-nascida tem claramente uma semelhança impressionante com Deus, tal como as religiões do mundo Ocidental entendem o Criador. Mas em vez de tentar falar sobre esse Deus numa terra de muitos deuses, a solução elegante do Buda passou apenas por falar sobre a condição humana, o sofrimento e o caminho para a salvação. No entanto, é um erro pensar que o Buda não conhece Deus. Ele tinha um conhecimento especial de Deus, dizendo ao Seu discípulo Vasetta:

Pois eu conheço Brahman, Vasettha, e o mundo de Brahman, e o caminho que conduziu a Ele. Sim, eu conheço-o como alguém que entrou no mundo Brahman e nasceu dele. (Svetasvatara 3: 9 in The Spiritual Heritage of India Swami Prabhavananda, p. 173)

É importante notar que, sempre que, no Ocidente, falamos de Deus, Ele é, como S. Tomás de Aquinas nos recorda na sua obra De Potentia, incognoscível, porque Ele "transcende tudo o que podemos entender dele". Falamos de Deus porque nos sentimos ligados aos Ser de Deus, a fonte derradeira da Realidade, e isso é que os Budistas chamam nirvana.

É verdade que a maioria das formas do Budismo pouco fala de um Deus criador. Mas, na verdade, as histórias sobre a criação ocupam muito pouco das Escrituras Ocidentais. O que realmente preenche as nossas Escrituras são nossas tentativas de descrever a nossa atracção pelo Ser com o qual estamos ligados, as nossas interrogações sobre o mundo e aquilo que é conducente ao progresso (ou retrocesso) pessoal e social. Estes são os mesmos rumos das escrituras Budistas. No seu âmago, as religiões orientais e ocidentais têm o mesmo objectivo e envolvem-se nas mesmas tarefas. O Dalai Lama referiu este assunto:

Para um não-budista, o conceito de nirvana e uma vida seguinte parecem não ter sentido. Da mesma forma, para os Budistas, a noção de um Deus Criador soa, por vezes, sem sentido. Mas estas coisas não são importantes; podemos deixá-las. O que importa é que, através destas diferentes tradições, uma pessoa muito negativa pode-se transformar numa pessoa boa. Esse é o propósito da religião - e esse é o resultado real. (The Four Noble Truths, p. 5)

Dizer que o Budismo é ateu é não compreender o Budismo. O Buda falava frequentemente de Brahman (Deus) com conhecimento íntimo, e, como vimos, Ele condenou aqueles sacerdotes que não agiam de acordo com a natureza de Brahman. Além disso, toda a missão do Budismo é ajudar a aliviar o sofrimento humano, pregando o comportamento moral e o alinhamento com a natureza sagrada da realidade (Deus).

Os Bahá’ís acreditam que esta forma profunda e santa de ver o universo (e nosso lugar nele) coloca o Budismo no panteão das grandes religiões mundiais. Para os Bahá’ís estas verdades eternas, quer sejam transmitidas por Buda ou por Cristo ou Bahá’u’lláh, têm todas a mesma fonte:

Nenhuma verdade pode contradizer outra verdade. A luz é boa em qualquer lâmpada que esteja acesa! Uma rosa é bela em qualquer jardim que possa florescer! Uma estrela tem o mesmo esplendor se brilhar no Oriente ou no Ocidente. Libertai-vos do preconceito para amar o Sol da Verdade em qualquer ponto no horizonte que possa surgir! Compreendereis que, se a luz Divina da verdade brilhou em Jesus Cristo, então também brilhou em Moisés e em Buda. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 137)

----------------------------------

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Uma questão de fé



Estou sentada na sala de espera do hospital e o meu filho de um ano de idade está no bloco operatório há quatro horas. A ansiedade é um eufemismo.

O meu bebé ainda tem aguentar mais quatro horas de operação, se a enfermeira que acabou de me sussurrar a informação estiver correcta. Esta é a sua terceira cirurgia neste ano; e ele tem apenas um ano de vida. Hoje, sou capaz de explodir se alguém me disser que as pessoas apenas são testadas de acordo com a sua capacidade. Hoje sinto-me abandonada por todas e quaisquer versões de Deus.

Olho para a sala espera cheia de gente. Casais tranquilos, mães, pais, irmãos, amontoam-se em círculos apertados. Bebendo café, olhando pela janela, olhos vidrados. Sei que não estou sozinha nos meus pensamentos; não nesta sala e não no mundo.

As pessoas falam sobre os momentos da vida em que duvidamos. Quando perguntamos porquê, quando não compreendemos, quando a nossa dor ou a dor que testemunhamos no mundo nos faz chorar de frustração, raiva, e até fúria. Este é um dos meus momentos. Não é um processo de pensamento passivo ou hipotético. É real, é pessoal e é difícil. Esta palavra "fé" não é brincadeira.

Olho para uma mãe sentada numa poltrona a poucos metros de mim, junto a um carrinho de criança vazio. Tem a cabeça curvada, os cabelos caídos, penso que talvez esteja derrotada, mas depois ela ergue a face e vejo os seus olhos fechados, as mãos apertadas e os lábios movendo-se silenciosamente. Está rezar.

O que leva esta mãe solitária a pedir a ajuda de Deus? O que a faz levantar o rosto numa expectativa silenciosa? Onde é que ela encontrou a fé?

O sinal do amor é a força moral sob o meu decreto e a paciência sob as Minhas provações. (Baha'u'llah, As PalavrasOcultas, árabe, #48)

O primeiro sinal de fé é o amor. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation ofUniversal Peace, p. 336)

Terá a sua fé aumentado a sua capacidade de lidar com as tristezas, ou de ser paciente durante provações severas? Isso permite-lhe estar sozinha, sentada ao lado do seu carrinho de criança vazio com calma interior?

As suas orações, embora silenciosas, afectam-me como um sofrimento pessoal. Dentro de mim, também quero que a minha fé seja forte; quero confiar em Deus para guiar os cirurgiões, para proteger o meu filho, para que o seu sofrimento seja mínimo, para que a sua recuperação seja rápida. Quero que a minha fé me leve, e leve o meu filho, através desta e de todas as suas provações.

E agora dou-vos um mandamento que será sobre uma aliança entre vós e eu - que tenhais fé; que a vossa fé seja firme como uma rocha, que nenhuma tempestade mundana possa abalar, que nada possa perturbar, e que subsista por todas as coisas até o fim... Assim como tiverdes fé, também serão os vossos poderes e bênçãos. (‘Abdu'l-Bahá, Baha’i Readings, p. 313)

Compreendo. As orações silenciosas desta mãe são orações silenciosas para manter sua fé; ao fazê-lo, dão-lhe força, poder e bênçãos.

Penso na pessoa que eu era há um ano atrás. Estava afortunadamente inconsciente da obscura desordem genética que se apossou do meu filho. Como é que isso me mudou? Olho para os desconhecidos na sala de espera com os quais me sinto inexplicavelmente ligada, a mãe que reza em silêncio e a quem me liguei com um simples olhar, o mundo desconhecido do qual sou agora um habitante cúmplice mas ferozmente leal. Estes sentimentos são bênçãos. Bênçãos estranhas e terríveis, mas belíssimas. Será que eu teria estas coisas se minha fé não tivesse sido testada? Teriam os meus olhos ficado assim tão abertos? Seria capaz de sentir oceanos de ternura e compaixão feroz?

... o espírito humano, a menos que seja auxiliado pelo espírito de fé, não pode conhecer os mistérios divinos e as realidades celestiais. É como um espelho que, embora claro, brilhante e polido, ainda precisa de luz. Só quando um raio de sol cai sobre ele, é que se pode descobrir os mistérios divinos. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, p. 242)

Então, se o "primeiro sinal de fé é o amor" e se o sinal do amor é "paciência sob as Minhas provações", vou começar por aí.

Olho para o meu relógio. Ainda me dói o coração. Talvez doa sempre durante estes dias. Talvez seja suposto doer. As dores dão-me a conhecer os "mistérios divinos" e as "realidades celestiais" - com tamanho realismo que percebemos que é fácil pensar que temos fé quando nunca fomos desafiados.

----------------------------------
Texto Original: A Question Of Faith (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Brittany Betts formou-se na Universidade de Oxford e é CEO da The International Educator. Cresceu em Portugal e pertence à quarta geração de Bahá’ís na sua família. Actualmente vive na Califórnia (EUA).

sábado, 20 de janeiro de 2018

Os Budistas, os Bahá’ís e Deus

Por Tom Tai-Seale.


A maioria dos historiadores acredita ser muito provável que o Budismo tenha mudado dramaticamente desde que Sidarta Gautama fundou esta Religião há 2500 anos. Transmitida através de histórias orais pouco fidedignas e baseadas na compreensão dessas histórias, o Budismo moderno pode ter - ou não - alguma semelhança com o que o Buda originalmente ensinou.

No entanto, o que sabemos sobre os ensinamentos de Buda, revelado originalmente em sociedades profundamente iletradas, surgiu numa forma estrutural que facilita a memorização. Por exemplo, existem:
  • Um Dharma: ensinar.
  • Dois Caminhos Espirituais: um para leigos e outro para monges.
  • Três Cestos de Escrituras: um com regras para monges, um com discursos e um com comentários (o Abhidhamma).
  • Três Selos de Dharma: os ensinamentos sobre a impermanência, o não-eu e o nirvana.
  • Quatro Nobres Verdades: a vida está cheia de sofrimento, a causa do sofrimento é o apego, o sofrimento pode acabar, a maneira de o eliminar é o caminho do Buda.

O Budismo também possui cinco formações mentais e cinco recordações, seis tipos de consciência, sete factores de iluminação, um caminho óctuplo, doze ligações de origem dependente, dezoito reinos (dhatus) e muitas outras associações construídas com base em números. Estas simples mnemónicas levam-nos a acreditar que os princípios básicos dos ensinamentos de Buda foram preservados.

No entanto, a imensidão das escrituras Budista, as diferentes versões em diferentes idiomas, as diferentes interpretações e as práticas largamente diferentes geraram muitas formas diferentes de Budismo. As principais diferenças entre o Budismo Theraveda e Mahayana não são imediatamente visíveis nas várias divisões e escolas de pensamento existentes em cada uma destas correntes. Além disso, tanto o Budismo Theraveda como o Mahayana surgiram centenas de anos depois de Buda e continuaram a evoluir. Com tudo isto, é difícil caracterizar categoricamente as diferenças; podemos apenas dizer que corrente Theraveda é mais conservadora na medida em que aceita menos Escrituras, mas inclui todo o cânone em pali; por seu lado, a corrente Mahayana aceita mais algumas Escrituras, incluindo alguns sutras bem conhecidos, como o Sutra do Lótus, o Sutra do Coração, o Sutra do Diamante e o Sutra de Amitabha. Além disso, os Budistas Mahayana, em geral, também reverenciam mais Bodhisattvas (seres iluminados que assumem a tarefa de salvar a humanidade). Os países a Sul e a Leste da região onde Buda ensinou (no nordeste da Índia), tendem a ter mais Theraveda; os países do norte e do extremo oriente têm mais Budistas Mahayana. E é claro que muitos Budistas contemporâneos, independentemente da sua escola de pensamento, vêem agora a sua fé de forma muito diferente da que originalmente surgiu:

Relevo Budista Mahayana (sec. II ou III), Paquistão

O fundador do Budismo era uma alma maravilhosa. Ele estabeleceu a Unidade de Deus, mas depois os princípios originais das Suas doutrinas desapareceram gradualmente, e os costumes e as cerimónias ignorantes surgiram e aumentaram até que finalmente se transformaram no culto de estátuas e imagens. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, p. 165)

Para perceber alguns dos problemas da história e das escrituras Budistas, agora podemos examinar algumas questões que nos são colocadas, começando pela mais básica: o Budismo é teísta, ou seja, acredita em Deus? Para responder a esta pergunta, o ministério de Buda deve ser considerado na perspectiva histórica. Quando Buda apareceu, a religião Védica na Índia estava num período de declínio. A narrativa Budista diz que a casta privilegiada dos sacerdotes - os brâmanes - se tinha corrompido, pouco sabendo sobre o verdadeiro espírito da religião, o que os tornou incapazes de ensinar aos outros o caminho para Deus. Um discípulo do Buda, Vasettha, comentou esta situação; Buda respondeu:

Então dizes, também, Vasettha, que os brâmanes [sacerdotes] têm raiva e malícia nos seus corações, e são pecadores e descontrolados, enquanto Brahman [Deus] está livre de raiva e malícia, não tem pecado e tem autocontrole. Agora, pode haver consonância e semelhança entre os brâmanes e Brahman?

Note-se que o Buda fala sobre Deus (Brahman) e está interessado em reflectir correctamente a luz de Deus. Mas o Buda viveu num tempo em que as pessoas se afogavam num mar de diferentes doutrinas sobre Deus e os diferentes direitos dos sacerdotes como intermediários. Ele viu claramente que acrescentar a fraternidade intelectual e religiosa não ajudaria a salvar a humanidade dos seus sofrimentos. Em vez disso, a sua Religião maravilhosa e profundamente espiritual pede a seus seguidores e a todos nós que nos concentremos na nossa viagem espiritual interior.

----------------------------------

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 13 de janeiro de 2018

O Budismo e a Fé Bahá'í



Os Bahá'ís acreditam que o Budismo constitui uma parte vital do plano divino, representando um forte vínculo no processo da revelação progressiva ao longo dos tempos. Mas como é que uma religião com escassas referências a Deus pode ser parte do mesmo sistema global que as religiões teístas? Para responder a estas questões, precisamos investigar a história e as escrituras Budistas.

Siddhartha Gautama, o Buda, nasceu por volta de 500 aC, em Kapilavastu, no Nepal. Sobre o início da vida de Buda, um investigador budista escreve:

A tradicional história da vida transmitida e conhecida entre todos os budistas é bastante completa. Podemos estar bastante seguros de que contém informações históricas muito precisas. Temos a certeza que contém elaborações e adições posteriores. O que muitas vezes não sabemos é qual é qual. (L.S. Cousins, A Handbook of Living Religions)

Foto Mosteiro de Nigrodharama

Ruínas do mosteiro de Nigrodharama perto do local de nascimento de Sidartha
e onde Ele esteve durante a sua iluminação
 Algumas das histórias contadas sobre o Buda lembram mitos - mas é sempre mais fácil detectar os mitos de outra religião do que os mitos da nossa própria religião. A grandeza dos mitos, no entanto, revela a grandeza do Buda nos corações dos Seus seguidores. O Buda, sem dúvida, foi um grande ser - o Fundador de uma das grandes religiões mundiais - reverenciado e respeitado em todo o mundo.

Tal como as histórias que se contam sobre o Buda, a autenticidade das escrituras Budistas também tem aspectos problemáticos. Os ensinamentos Budistas apenas foram escritos no século I aC - um período de pelo menos 300 anos desde o tempo em que o próprio Buda viveu. Os textos Budistas mais antigos foram recuperados no Sri Lanka e foram escritos num idioma conhecido como pali - embora a palavra apenas signifique "texto". O Buda não falava pali; falava Magadhi. Pali é uma linguagem sintética, uma amálgama de vários dialectos, incluindo o que o Buda falava. Hoje em dia não é falado, excepto por devotos e estudiosos Budistas, tal como o latim para os estudiosos ocidentais.

Originalmente, os ensinamentos de Buda foram divididos em nove categorias (as seguintes explicações variam): sutra (prosa), geya (prosa e verso), vyakarana (respostas às perguntas), gatha jataka (histórias de nascimentos passados), udana (frases inspiradas) itivrttaka (palavras memoráveis), vedalla (catecismo) e adbhutadharma (qualidades maravilhosas), mas depois da morte do Buda, uma categorização mais simples entrou em vigor e as escrituras foram divididas em nikayas ("volumes" em pali) ou agamas ("colecções de escrituras" em sânscrito).

Escrituras Budistas em sânscrito
O primeiro volume destas colecções de escrituras chama-se vinaya (tanto em pali como em sânscrito) e contém instruções sobre disciplina monástica. O segundo chama-se sutta em pali e sutra em sânscrito. Contêm registros dos discursos ou ensinamentos públicos do Buda (dhamma em pali e dharma em sânscrito). Posteriormente, surgiu um terceiro volume chamado abhidhamma em pali e o abhidharma em sânscrito. Estes discursos sobre dharma reflectiam diferentes entendimentos dos ensinamentos do Buda. É provável que no início tenham sido produzidas muitas versões distintas, mas apenas duas versões completas sobreviveram: uma - da escola Sarvāstivāda - tornou-se dominante no norte da Índia e na Ásia central; e outro - da escola cingalesa - espalhou-se para o sul e seguidamente para o sudeste asiático. Juntos, estes três grandes volumes de escrituras são chamados de Tipitaka em pali (tripatika em Sanskrit), que literalmente significa, "três cestos".

Podemos perceber um pouco da imensidão do problema da autenticidade das escrituras Budistas ao saber que apenas os discursos contêm muitas milhares de páginas, muitas vezes maiores do que a Bíblia, ocupando o espaço equivalente de pelo menos 50 volumes em edições modernas. É inconcebível que uma tão grande quantidade de material possa ter sido transmitida oralmente sem modificação, alteração ou erro durante centenas de anos antes de ser escrito.

Os Bahá’ís acreditam que Buda foi um Manifestante de Deus, como Cristo, mas que os seus seguidores não possuem as suas escrituras originais. Este problema de autenticidade afecta muitas religiões, incluindo o Judaísmo, o Cristianismo e (em menor medida) o Islão. Mas, apesar deste problema e do problema paralelo da corrupção gradual dos ensinamentos autênticos e originais de cada um dos Profetas ao longo do tempo, os principais ensinamentos destas grandes religiões têm uma consistência e congruência notáveis:

O verdadeiro ensinamento de Buda é o mesmo ensinamento de Jesus Cristo. Os ensinamentos de todos os Profetas são os mesmos em carácter. Agora os homens mudaram o ensinamento. Se virem a prática actual da religião Budista, verão resta pouca coisa da Realidade. Há muita adoração de ídolos, embora os seus ensinamentos o proíbam. (Abdu’l-Baha in London, p. 63)

É claro que algumas formas de Budismo não estão focadas em ídolos, mas o Budismo, como todas as religiões, precisa de renovação.

----------------------------------

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Krishna, o Hinduísmo, e o Monoteísmo - uma perspectiva Bahá'í

Por Tom-Tai-Seale.


Os ensinamentos Bahá'ís afirmam que todas as grandes religiões monoteístas do mundo são uma só, que todas provêm da mesma Fonte e transmitem à humanidade a mesma mensagem essencial. Os Bahá’ís acreditam que esta unicidade progressiva inclui o Hinduísmo, uma antiga família de religiões originárias do subcontinente indiano.

Os Hindus são frequentemente classificados em diferentes grupos consoante os objectos da sua devoção, as suas práticas e o foco das suas Escrituras, levantando a questão “será o Hinduísmo uma única religião?”. Os ocidentais também têm tido, ao longo do tempo, uma variedade de ideias diferentes sobre Deus e os seus atributos. Quando um Ocidental decide tornar-se jesuíta em vez de franciscano ou um baptista em vez de presbiteriano, ele continua a aceitar outras formas de religião Cristã como expressões legítimas - apesar dessas formas diferentes enfatizarem diferentes aspectos ou métodos no Cristianismo. Os Hindus fazem o mesmo. Eles escolhem uma forma de religião que lhes é confortável, respeitando as restantes como diferentes expressões do Deus universal. Assim, os diferentes ramos do Hinduísmo, enfatizando diferentes aspectos de Deus, estão unidos como uma única família Hindu.

É certo que existem representações de muitos deuses no Hinduísmo, mas será correcto descrever o Hinduísmo moderno como politeísta? Tal como o Deus das religiões semitas, Brahman - o deus Hindu dos Vedas - é descrito como estando muito acima de nós. Os Vedas dizem: "Brahman é Aquele cujas palavras não podem descrever, e de Quem a mente, incapaz de O alcançar, se mostra confusa." E, no entanto, as escrituras Hindus dizem que Ele está no coração de todos, sendo essencialmente semelhante ao Deus monoteísta do Judaísmo, do Cristianismo e do Islão.
Vós sois o fogo, Vós sois o sol, Vós sois o ar, Vós sois a lua, sois o firmamento estrelado, sois o Brahman Supremo: Vós sois as águas - Vós, o criador de todos.
Estas palavras poderiam ter sido escritas por um místico Cristão ou Sufi. No entanto, até mesmo os Upanishads fazem a distinção entre Deus e o Seu universo. Como a continuação do mesmo versículo deixa claro, enquanto Deus cria coisas que mudam, Ele permanece o mesmo. Os versículos afirmam:
Cheias de Brahman estão as coisas que vemos; cheias de Brahman estão as coisas que não vemos; de Brahman flui tudo o que existe; E Brahman porém permanece o mesmo.
Será isso panteísmo? Um sábio hindu escreve:
Não existe, propriamente falando, panteísmo na Índia - mesmo que as aparências possam por vezes sugerir o contrário. O Hindu vê Deus como a energia derradeira na criação e por trás de toda a criação; mas nunca, nem nos tempos antigos, nem nos tempos modernos, Ele é idêntico a ela. (Swami Prabhavananda, The Spiritual Heritage of India, p. 33)

Os dez avatares de Vishnu
Os Bahá'ís acreditam num Ser Supremo e rejeitam o politeísmo e o culto de múltiplos deuses. Os ensinamentos Bahá'ís reconhecem as bases monoteístas do Hinduísmo e os seus mandamentos altamente morais. Também veneramos Krishna - o Avatar Hindu cujo ministério tem mais evidências históricas.
As almas abençoadas - seja Moisés, Jesus, Zoroastro, Krishna, Buda, Confúcio ou Maomé - foram a causa da iluminação do mundo da humanidade. Como podemos negar tais provas irrefutáveis? Como podemos ser cegos para essa luz? (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 346)
A crença num agente divino organizador que procura educar e aperfeiçoar o carácter humano e permitir o crescimento social constitui o fundamento comum a todas as grandes religiões. A ênfase Hindu na oração e na meditação, na busca interior para encontrar o Bem-Amado, o desejo apaixonado de libertação da escravidão do mundo material e a tentativa de viver de acordo com uma ordem universal (dharma) conseguiram criar milhões de pessoas boas e nobres entre os Hindus do mundo.

A bondade e a gentileza dos Hindus, as mentes analíticas brilhantes de muitos dos seus sábios, as suas escrituras de beleza esmagadora são dádivas que a cultura hindu trouxe à família das religiões e das nações. É uma oferta de que não podemos abdicar.

----------------------------------
Texto Original: How Baha’is View Hindus, Krishna and Monotheism (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.